“50% da culpa de todos os males cometidos diretamente pela humanidade é dos pais. Eles poderiam ter feito algo diferente.”
Antes do nascimento ou início de muitas coisas na nossa sociedade a atenção que damos a ela é considerável. Antes de um casamento as famílias se reúnem, os amigos são convidados para o noivado, chá de panela ou despedida de solteiro, o casamento em si é maravilhoso, ficamos todos emocionados, os sogros se fazem em conselhos, o padre dá as diretrizes para um casamento próspero. Quando o primeiro filho nasce vem os avós novamente, o chá agora muda de nome, é de bebê, mais uma enxurrada de ensinamentos, palpites e experiências a ser passados.
O que acontece é que, com a mesma rapidez que uma criança enjoa do brinquedo novo, vão embora os amigos e parentes, os pais voltam para o serviço, a empregada tem que dividir sua atenção com os dois filhos do casal, o almoço, o mercado, limpar o banheiro, trocar as toalhas e sabe-se lá mais uma lista de a fazeres domésticos para os quais ela foi contratada, ou não.
Interessante mesmo é chegar ao ponto em que as crianças, há algum tempo, são educadas pela TV, ensinadas pelos vídeo games, os quais eles não levam em consideração a faixa etária adequada, e tem como portas para o mundo o computador ligado a um cabo ou modem por onde não adianta mais pedir para não falarem com estranhos.
Não sejamos também aquele tio careta que não tem nem televisão em casa, mas admitamos que os pais já não conversam com seus filhos, e isso já não é novidade, eles se quer conhecem seus filhos. E não digo daquele papo de “como foi a aula?”, “já escovou os dentes?” ou “quando é a prova?”.
Filhos agora se dão, com muito mais freqüência, o luxo de dizer que não estão falando com os pais. Tanto de um lado quanto de outro acho deprimente esse tipo de atitude e há muitos pais por aí que consideram castigo ficar sem falar com as crianças. Aonde viemos parar?!
Limites nunca me fizeram mal, "nãos" nunca me deixaram com distúrbios e ajudar em casa nunca me fez cair a mão. Minha mãe foi e continua sendo minha melhor amiga, até por que não encontrei ninguém que pudesse substituí-la nesse cargo. Conversava sobre tudo com ela, por mais que tivesse segredos e isso é óbvio principalmente para adolescentes, nunca foi difícil comentar sobre meu dia ou a macroeconomia mundial com ela.
Formar laços com um filho, amar conscientemente e educá-lo são obrigações de todo pai. O que toca quando digo formar laços com um filho quer dizer não tratá-lo como inferior, ouvir a opinião dele, ele não precisa saber que você não a leva em consideração, não tratá-lo como escravo e deixar que ele participe das escolhas que farão diferença à família como um todo.
Amar conscientemente é impreterivelmente saber dizer NÃO, com todas as letras, em alto e bom som, mas sem gritar, nunca grite, é desnecessário e se podemos nos economizar deixando de fazer tudo que é desnecessário viveremos mais. A criança tem que entender por que aquele não é o momento ideal para fazer algo ou ganhar aquele presente, definir metas para ela e propor gratificações não se tornou chantagem ainda e pode ser extremamente educativo desde que ela não se acostume a só fazer o que lhe trouxer benefícios imediatos. Preste atenção nisso.
Por ultimo e extremamente importante educação. Só se deve levantar a mão para uma criança a partir do momento que ela pode entender o que ela fez de errado e está ciente do quão chateados os pais ficaram em relação ao que foi feito. Se você foi bem nessa primeira fase provavelmente já ganhou algum tempo conversando com o pestinha, digo seu filho lindo, e já se acalmou. Provavelmente não será necessário efetuar o castigo corretivo em cristo nele. Mas coloque-o sentado no banquinho por vinte minutos para se certificar de que ele absorva e aprenda com os erros que invariavelmente quase toda criança comete.
Os erros fazem parte do aprendizado e quando bem contornados são ótimas chances para ensinar o que tem de ser ensinado às crianças.
Tenho vinte anos e só me lembro de uma vez ter apanhado da minha mãe. Foi muito marcante para mim mas não me traumatizou nem um pouco. Pelo contrário, sei exatamente por que aconteceu e dificilmente voltaria a cometer o infeliz erro que me justificou ir dormir quente.


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